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1951

FLODOALDO T. VIANA


Atriz - Glecy Coutinho

Filha de capixabas, nasceu em Aimorés (MG), veio para o Espírito Santo com apenas oito dias de idade. Viveu até os 23 anos em João Neiva, onde é Secretária de Cultura. Por 20 anos trabalhou em veículos de comunicação de Vitória e foi professora do curso de Comunicação da Ufes, onde se aposentou.

Nos anos 60 e 70 atuou em muitas peças de teatro com o grupo “Praça Oito” dirigido por Gerson Von Rondow. Trabalhou também na peça de Plínio Marcos “Navalha na Carne”, em 1968, que foi proibida pela censura. Atuou ainda em peças infantis.

Em 1970 foi dirigida por Flávio Rangel na peça de Pirandello “Assim é se lhe Parece”, com a Companhia de Teatro de Paulo. Sua última atuação em teatro foi em 1982 na peça de Amylton de Almeida “Mamãe Desce ao Inferno”, dirigida por Renato Saudino. Escreveu duas peças de teatro e teve participação em alguns longas.


TEATRO CARLOS GOMES
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FLODOALDO VIANA

( TEATRO ESCOLA DE VITÓRIA )

TEATRO CARLOS GOMES

O Theatro Carlos Gomes é uma referência cultural para Vitória e todo o Espírito Santo desde os anos vinte. O projeto inicial é de autoria do italiano André Carloni, nascido em Bolonha, radicado no Espírito Santo desde 1890.


Em 1925, com o fechamento do Theatro Melphômene, Carloni inicia o projeto do Theatro com muito idealismo e amor à terra adotiva.

Do antigo teatro, utiliza os balaústres e as colunas de ferro fundido trabalhado, que servem até hoje de sustentação para os camarotes.


A inauguração aconteceu no dia 5 de janeiro de 1927, com a exibição do filme "O que faria com um milhão". No dia seguinte, foi apresentado o espetáculo "Verde e Amarelo", com texto de autoria de Patrocínio Filho e Ruy Pavão, pela Companhia Nacional de Revistas Tan-Tan.

A administração, inicialmente do próprio André Carloni, passa por arrendamento em 10 de novembro de 1929 para a Empresa Santos, que transforma o teatro em cinema. Em 1934 o prédio é vendido ao Governo do Estado, continuando sob administração da Empresa Santos.

As apresentações teatrais passam a ser esporádicas, em função da programação cinematográfica.


Na década de 50, passa a funcionar novamente como espaço cênico para apresentações do Grupo de Teatro de Flodoaldo Viana.

Terminado o contrato com o Governo do Estado na década de 60, a Empresa Santos retirou as cadeiras e equipamentos cinematográficos. O prédio foi reinaugurado em 15 de dezembro de 1970, após árduo trabalho de recuperação das fundações do prédio e restauração de suas características originais. Outras reformas ocorreram em 1978, 1985, 1992 e 2003.
Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 12 de março de 1983, o principal teatro da Grande Vitória está situado na Praça Costa Pereira, no centro histórico da cidade.

O mês de setembro marca a estréia de personalidades do Teatro no Projeto Depoimentos, uma nova ação cultural na Escola de Teatro e Dança Fafi, que consiste em realizar entrevistas com personalidades da Dança e do Teatro locais e nacionais. O objetivo é registrar tais depoimentos sobre assuntos relacionados à memória brasileira com interface aos objetivos da escola. O entrevistado será o ator, produtor e diretor Flodoaldo Viana.

Natural de Alfredo Chaves (1920), interior do Espírito Santo, Flodoaldo estreou no teatro entre 1938 e 1939, na peça O Descobrimento do Brasil, de autoria do capixaba Milton Machado. Vale a pena destacar o caminho do entrevistado e o Teatro Escola de Vitória (TEV), que tem uma trajetória comunitária e ininterrupta de 1951 a 1961, retornando depois, nos anos 70, a produzir teatro no Estado.

No TEV prevalecia um estilo "clássico" de representação, utilizando inclusive o "ponto" nas apresentações. Estas e outras histórias serão contadas para os alunos e interessados nesta sexta-feira (10), às 17 horas, no Laboratório de Artes Cênicas.

História

Flodoaldo nasceu, a 16/10/1920, em uma fazenda de Alfredo Chaves, interior do Espírito Santo. Passou sua infância em Cachoeiro de Itapemirim, vindo em 1932 para Vitória, onde estreou no teatro, entre 1938 e 1939, como ator, na peça beneficente O Descobrimento do Brasil, de autoria do capixaba Milton Machado, encenada ao ar livre no adro da Igreja de Santo Antônio.

Trabalhou, desde 1932, na Farmácia Cunha, emprego no qual permaneceu até 1943, quando, em visita a Alfredo Chaves, teve oportunidade de assistir a peças encenadas pela Companhia de Comédia Leda Estela, que, subvencionada pelo SNT, viajava por todo o interior do Brasil, dirigida por Eurico Souza Silva, que a havia fundado juntamente com sua esposa D. Izabel Vasconcelos (cujo nome artístico era Leda Estela).

Apaixonou-se então pela filha dos fundadores, Dirce Souza, com quem se casou em Cariacica, em 1943. Após o casamento, decidiu abandonar o emprego e sua casa em Vitória, e passou a correr o Brasil, juntamente com a Companhia de Comédia Leda Estela, como profissional de teatro, adquirindo uma prática que iria ser de grande utilidade no futuro.

Nestas andanças, "mambembaram" por todo o País, inclusive pelo Espírito Santo (nos anos de 1945 e 1951), tendo como grande adversário o cinema. Em 1951, quando a Companhia de Comédia Leda Estela veio, já pela terceira vez, ao Espírito Santo (estiveram aqui em 1943, quando se casou, e em1945), seu diretor, Eurico Souza Silva, teve um enfarte em Vitória.

Cansados da vida de teatro e premidos pela necessidade de possibilitar estudos aos filhos, em idade escolar, Dirce Souza Viana e Flodoaldo resolveram dissolver a Companhia de Comédia Leda Estela. Decididos, no entanto, a continuar a fazer teatro, fundaram em 28 de julho de 1951 (68) o Teatro Escola de Vitória, ou TEV. A primeira peça do TEV foi As Cartas Não Mentem Jamais, de autoria de Eurico Souza Silva (pai de Dirce), que estreou na Escola Normal Pedro II (atual Colégio Maria Oruz).

Ainda na década de 50, montaram também Almas do Outro Mundo (infantil) e Bombonzinbo. Em 1962 o TEV interrompeu suas atividades, por vários motivos, entre os quais a necessidade de Flodoaldo dedicar-se aos seus negócios extrateatrais (administração de um bingo e a direção de uma empresa de som e publicidade) e o fechamento do Teatro CarIos Gomes (pois havia terminado o prazo do contrato de arrendamento pela Empresa Santos).

Recomeço

A interrupção durou até o início da década de 70, quando Marien Calixte, na época diretor do Serviço de Teatro da Fundação Cultural, convidou Flodoaldo para tomar conta da parte administrativa do Teatro Carlos Gomes e organizar um grupo teatral dentro do próprio teatro. Flodoaldo remontou então O Casaco Encantado, de Lúcia Benedetti, e Chapeuzinho Vermelho, de Paulo Magalhães.

No entanto, só chegou a apresentar Chapeuzinho Vermelho, pois se demitiu devido a um desentendimento financeiro com a Fundação Cultural, acerca de seus honorários. Porém, estava dado o impulso, e o TEV remontou na década de 70 antigos sucessos como, O Gato de Botas, de Geysa Bôscoli; O Casaco Encantado, de Lúcia Benedetti; O Mártir do Calvário, de Eduardo Garrido; Auto de Natal, de Lúcia Benedetti.

Esta última peça passou a fazer parte dos festejos da Serra (ES), sendo encenada ao ar livre nos anos de 76, 77, 78, 79, 80, de maneira sui generis: as falas eram previamente gravadas, e na hora da apresentação os atores apenas mexiam com a boca, para evitar os problemas de audição dos diálogos, que normalmente acontecem em montagens ao ar livre.

O Teatro Escola de Vitória foi o primeiro grupo a ser reconhecido como de utilidade pública no Espírito Santo (Lei nº 1.018). Os diretores de suas montagens eram geralmente Flodoaldo Viana, sua mulher, Dirce Souza Viana, e Henrique Leonfar. Na sua primeira fase (1951 a 1962) realizava em média de dez a 15 espetáculos por mês (geralmente nos finais de semana), sendo quatro a oito no Teatro Carlos Gomes (em Vitória) e seis a sete em outros locais (pelo interior, e mais raramente, em outros Estados).

Geralmente, o Teatro Escola de Vitória estreava suas montagens no Teatro Carlos Gomes, regra estabelecida depois de suas duas primeiras encenações, e que poucas vezes foi rompida. No entanto, como de 1951 a 1961 as outras companhias de teatro não se apresentavam neste local com a mesma facilidade do TEV (que tinha nele uma espécie de sede, onde guardava o material de cena e ensaiava), criou-se o boato de que a Empresa Santos, arrendatária do lugar, possuía um acordo com FIodoaldo Viana, reservando o uso da sala, com fins teatrais apenas para o Teatro Escola de Vitória, o que não era bem a verdade. (A Empresa Santos, através de arrendamento do local ao seu proprietário, o governo estadual capixaba, detinha o monopólio do uso do Teatro CarIos Gomes já antes da década de 50, utilizando-o apenas como cinema).

FIodoaldo Viana tornou-se o único a ter permissão para utilizá-lo de maneira mais freqüente porque, além de pagar o aluguel devido, já tinha trabalhado como maquinista profissional e sabia desmontar e montar com perfeição a tela do cinema que funcionava no Teatro Carlos Gomes; além disso era amigo de Francisco Cerqueira Lima, diretor da Empresa Santos.

As demais companhias, mesmo as vindas de fora, só recebiam permissão para ali se apresentarem, se Flodoaldo concordasse em desmontar e montar a tela para os pretendentes a usuários, cuja eventual habilidade nessa tarefa não recebia a mesma confiança conferida à sua pessoa. Pelo uso do teatro, a Empresa Santos recebia dele uma quantia derivada da renda das sessões, que por serem bastante concorridas, também eram a fonte do pagamento de pequenos cachês para os atores, figurinos, cenários, confecção de ingressos e cartazes, etc.

Estas sessões eram, aos domingos, em número de três: uma pela manhã, uma à tarde (14 horas), e outra às 16 horas. Como às 20 horas era realizada a sessão de cinema, mal acabava o último espetáculo, começava-se a montar a tela.

Também eram comuns as viagens e as apresentações ao ar livre, o que exigia uma constante renovação das peças encenadas. Assim, geralmente de quatro em quatro meses o TEV montava um novo texto, mantendo os antigos em repertório, no entanto, e os reapresentando constantemente. Tal hábito foi quebrado na década de 70, quando o TEV reiniciou suas atividades limitando-se apenas a reapresentações de seus antigos sucessos no teatro infantil.